Fichamento nº 13 – “Dez propostas para pensar as novas mídias de comunicação”, de Dominique Wolton

Dominique Wolton, em seu texto “Dez propostas para pensar as novas mídias de comunicação”, do livro “A Internet, e Depois?”, discursa a respeito das transformações que a comunicação passou e poderá vir a passar com o advento das novas tecnologias, ou tecnologias da informação.

Para iniciar o texto, Wolton explicita que se compararmos o passado ao presente, as mudanças na comunicação foram muito mais de natureza cultural e social que tecnológica, ao contrário do que muitos afirmam hoje em dia. Essas mudanças na comunicação vieram a ocorrer de acordo com mudanças sociais culturais, como a democracia de massa; depois, a abertura das sociedades por razões econômicas, políticas e culturais; a desagregação dos equilíbrios familiares e das relações campo-cidade e, finalmente, a ruptura radical das formas de trabalho.

Wolton defende a ideia de que o encontro entre a inocação tecnológica e as mudanças culturais e sociais nos padrões de comunicação geram uma revolução e que, nessa interação entre fenômeno tecnológico, cultural e social, os dois últimos são os mais importantes, apesar de parecem menos espetaculares que o primeiro. Ele acaba, então, com a ideia de que as invações tecnológicas não são suficientes para mudar a sociedade, fazendo-se necessária uma avaliação da comunicação levando em  conta o conjunto dessas três características. Durante muito tempo o discurso que dominava a comunicação era o técnico, no qual é defendido que a tecnologia é o progresso, a mudança, o avanço, que está presente em todos os âmbitos no nosso dia a dia. Mas Wolton afirma que “a modernidade não constituiu jamais um projeto de sociedade. Se assim fosse, falaríamos simplesmente da adaptação às mudanças de toda espécie que produz a história.” (p. 2)

Para ele, o advento de novas tecnologias não é o grande problema, mas sim esse discurso que se cria e se propaga de que tais tecnologias são o futuro.

“Os dois meios de comunicação são, na verdade, complementares; cada um valoriza uma das duas dimensões características da sociedade individualista de massa.” (WOLTON, p. 2)

Wolton, então, enumera 9 pontos que resumem a sua conclusão a respeito do assunto:

1. O objetivo da comunicação não é compreender a tecnologia, mas sim as relações dos indivíduos entre si e com a sociedade.

“É a escolha entre socializar e humanizar a tecnologia ou tecnificar a comunicação.”  (p. 2)

2. A necessidade de deixar de lado a ideologia tecnológica que insist em reduzir a comunicação e a tecnologia, construindo uma falsa hierarquia entre novas e velhas mídias.

“O fato de que amanhã as telas apareçam em todos os lugares, tanto na escola como em casa, no comércio ou no lazer não significa que a comunicação seja mais fácil. Na verdade, quanto mais produtivas são as tecnologias, mais deveria destacar-se o que as separa da comunicação humana e social.” (p. 3)

3.Relativizar a ideologia tecnológica, ou seja, tudo o que é novo não necessariamente é moderno e o que é moderno não necessariamente é melhor.

“Embora as novas tecnologias constituam uma evidente evolução técnica, isso não é suficiente para criar um progresso na história e nas teorias da comunicação.” (p. 3)

4. Os meios de comunicação e as novas tecnologias são complementares, pois refletem o mesmo modelo da sociedade individualista de massa.

5. Ressaltar a importância da oferta de qualidade dos produtos de comunicação.

“A pura lógica da demanda acarreta uma comunicação de duas velocidades e de dois preços: de baixa qualidade e gratuita para uma boa parte da população; cara e de boa qualidade para os mais favorecidos.” (p. 5)

6. Não há um pensamento comum entre as logicas do emissor, da mensagem e do receptor.

“…apesar de sua considerável força, a mídia, por um século, levou à padronização das opiniões e das ideias: uma vergonha para os trabalhos da Escola de Frankfurt. É verdade que as mensagens têm uma influência, mas o estudo das condições de recepção permite também entender que a mesma mensagem, enviada ao mundo inteiro, não é recebida da mesma maneira nos diferentes países.” (p. 5)

7. A comunicação humana não substituirá a comunicação humana direta, ao contrário do que muitos pensam.

“Quanto mais as pessoas puderem se comunicar através de meios sofisticados, interativos, mais vontade terão de se ver; o desafio da comunicação tecnológica não se substitui pela necessidade de comunicação direta.” (p. 6)

8. A importância de registrar as novas tecnologias na história da comunicação.

9. A ideia da comunidade internacional reflete um ideal democrático, que tem como objetivo pacificar os diversos sistemas políticos, religiosos, sociais.

“Isso requer trabalhar nas duas direções de forma simultânea: respeitar as identidades e desenvolver um projeto mais amplo que transcenda as diferenças” (p. 8)

Fichamento nº 12 – Texto de Eugênio Bucci (retirado do capítulo Comunicação Digital do livro “cultura digital.br”)

 

O texto segue uma estrutura diferente dos demais já estudados. Como uma espécie de entrevista, ele apresenta perguntas e as respectivas respostas do jornalista Eugêncio Bucci a respeito, principalmente, à entrada do digital na comunicação e na cultura e seus desdobramentos. Bucci acredita que o grande desafio é ver as tecnologias nos veem. As máquinas estão substituindo a nossa função de memória, o que pode facilitar, mas também cria outras necessidades.

Ele acredita que estamos vivendo uma revolução equiparável à revolução de Gutenberg, um momento de intensa transformação, mas que não necessariamente trará mais democratização. Ele explica que o simples acesso a um computador, por exemplo, não faz da pessoa uma incluída digital, pois para isso seria necessário que ela tenha um repertório dentro do arsenal da internet, ou seja, depende do grau de acesso e da influência que a pessoa exerce na rede. É quase como uma analfabeta funcional.

O processo de inclusão/exclusão da internet é bem diferente daquele que se tinha na época do advento da televisão ou do rádio, pois nestes meios os espectadores partilham do mesmo conteúdo da mesma forma e ao mesmo tempo.  Essa linearidade, porém, não existe com a internet. Muito se fala da substituição dos “antigos” dispositivos pela internet. Com relação a essa máxima, Bucci afirma que não necessariamente isso acontecerá, pois o acesso é que será por outros caminhos. Haverá uma “personalização dessas coisas”.

Ele afirma que a tecnologia da internet, “que veio para permitir que mais pessoas tivessem acesso ao espaço público estabeleceu também uma diferenciação vertical que antes não estava posta” (p. 205). Ele esclarece que essa diferenciação vertical se estabelece pelo grau de tecnologia que uma pessoa pode manusear e pela familiaridade que essa pessoa tem acesso a milhões de dispositivos. Isso permite, muitas vezes, que aquele que tem uma maior familiaridade e manuseio dos dispositivos faça fortuna pela genialidade, assim como também para o favorecimento daqueles que possuem uma maior concentração de capital, pois permitirá que estes tenham mais destaque na difusão da informação e na administração dos grandes nós da internet. Para o autor, nós não “entraremos num mundo de uma espécie de utopia socialista digital. […] a internet turbina os processos pelos quais o capitalismo vai operar. E se vai operar, vai operar pela diferenciação.” (p. 206)

Bucci faz uma analogia dessa nova era com o personagem clássico de George Orwell, o famoso Grande Irmão de George Orwell. Segundo ele esse Grande Irmão existe, mas é um Grande Irmão difuso, que se compõe dos celulares, câmeras, Ipads e tantos outros dispositivos que nos conectam ao mundo virtual. Estamos sendo vigiados a todo instante, qualquer coisa que façamos na internet pode ser rastreada.

Ao tratar sobre a transformação no processo cultural, comunicacional e também no espaço público que os processos colaborativos podem trazer, o autor acredita que essa lógica solidária não suplantará a lógica acumulativa.

Bucci também aponta para as facilidades que o uso da rede permite às pessoas. Alguém que queria produzir um programa de rádio ou de TV, por exemplo, não depende mais da concessão de um espectro das ondas eletromagnéticas, pois agora dispõe de um meio muito mais prático, veloz e barato: a internet. Porém, a partir dessas facilidades surge uma necessidade: a de filtrar as “coisas banais”, que fará surgir uma hierarquização. É aí que o jornalismo atua, pois é ele que faz o papel de “editor”.

Bucci também fala sobre o papel que o Estado precisa desempenhar cm relação à universalização de acesso à internet. Ele defende a capacitação e a educação por meio das novas mídias.

“Existe um atraso crônico no Brasil, que é a regulação do setor da mídia – e quando eu falo no setor da mídia, eu estou envolvendo a imprensa dos jornais, das redes de TV e também as chamadas novas mídias. O Brasil, estamos muito atrasados, porque nós não disciplinamos sequer a propriedade cruzada dos meios de comunicação, a concentração de propriedade, a concentração de audiência.” (p.211)

Fichamento nº 11 – “Inclusão Digital, Software Livre e Glbalização Contra-Hegemônica”, de Sérgio Amadeu da silveira.

Sérgio Amadeu da Silveira apresenta alguns dos principais elementos constitutivos de uma política de combate à exclusão digital.

O autor considera a exclusão digital uma consequência da exclusão social. Com relação a aquele termo, ele explica que, hoje em dia, ser excluído digitalmente está muito mais ligado à falta de acesso à internet e, portanto, a inclusão digital dependeria de alguns elementos, como o computador, o telefone etc.

A partir de então, ele começa uma análise sobre a exclusão digital no Brasil. Segundo dados do IBGE no Censo 2000, o Brasil possui o maior nu´mero de hosts de internet da América Latina, sendo  10º do mundo, mas temos menos usuários de telefone do que a Argentina e o Uruguai e de usuários individuais de Internet do que Chile, Argentina e Peru, por exemplo.

O autor também apresenta outras pesquisas que mostram a situação desanimadora das escolas, ensino médio e fundamental, visto o pequeno número de estudantes com acesso à Internet e laboratórios de informática.

Amadeu aponta o alargamento da distância entre excluídos e incluídos digitalmente, perceptível mesmo com o constante barateamento das tecnologias. Na América Latina, o cenário é nítido e tende a agravar-se cada vez que novas tecnologias são lançadas.

Com isso, o autor afirma que a globalização não diminuiu a distância entre os pobres e os ricos e que é um fenômeno produzido e assimétrico em termos de inclusão e exclusão.

Utilizando do pensamento de Boaventura de Souza Santos, o autor afirma que a inclusão digital não pode ser apartada “da defesa de processos que assegurem a construção de suas identidades no ciberespaço, da ampliação do multiculturalismo e da diversidade a partir da criação de conteúdos próprios na Internet.”

Com relação aos modelos de combate à exclusão, Amadeu argumenta que uma política pública para inclusão não se resume ao papel desempenhado pelo Estado, mas a formulação, execução e avaliação devem envolver também as comunidades locais, os movimentos sociais e as ONGs. Segundo o autor, em geral, pode-se observar três focos distintindos nas propostas de inclusão digital: um no qual a inclusão social é voltada à ampliação da cidadania; outro que focaliza no combate à exclusã digital como elemento voltado à inserção das camadas mais baixas no mercado de trabalho na era da informação; e o terceiro voltado mais à educação. Esses três focos não são conflitantes, mas interligados.

O autor, então, fala do objeto da inclusão digital. Ele diferencia as políticas de inclusão digital em seis blocos: unidades de inclusão, opções tecnlógicas, atividades disponíveis, monitoria das unidades, sustentabilidade das unidades e autonomia e participação das comunidades. Amadeu defende o uso de softwares livres para a inclusão digital.

Reclame Aqui

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É comum acontecer de você ir a um determinado restaurante ou comprar um produto numa loja, por exemplo, e não ficar satisfeito com o estabelecimento em questão. Pensando prioritariamente no bem estar do consumidor em geral, foi criado há 13 anos o Reclame Aqui, o “canal OFICIAL do consumidor brasileiro!”. Muito além de um site de reclamações, o Reclame AQUI é um site de pesquisa, no qual o usuário pode pesquisar sobre a reputação de determinada empresa e, assim, evitar futuras decepções. Após ter tido problemas com uma companhia aérea e não obter respostas da empresa sobre a sua reclamação, Maurício Vargas, o presidente do site, notou a necessidade da criação de um canal em que o consumidor pudesse expor os problemas e a ineficiência dos canais de atendimento das empresas.

Logo na página inicial, antes de logar, há uma lista com o ranking das empresas mais reclamadas por categorias, além de outras três listas contendo reclamações recentes, reclamações atendidas e reclamações avaliadas.

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Qualquer pessoa pode realizar buscas no site, mas para fazer uma reclamação é necessário que a pessoa esteja cadastrada, seja pela conta do facebook ou pelo próprio site.O usuário deve ir até a sessão “Reclame”, procurar o nome da empresa, clicar no nome da empresa procurada e, então realizar a reclamação, colocando um título, selecionando um assunto (desrespeito ao consumidor, elogio a empresa e mau atendimento do SAC, por exemplo) e um sentimento (calmo, desconfiado, nervoso e satisfeito) e, por fim, colocando dois telefones para contato. Após enviada a reclamação, o usuário recebe um link para que possa espalhar a reclamação em redes sociais, para “ajudar outros consumidores”, e espera a resposta da empresa. Há também a opção de comparar duas ou mais empresas e, assim, descobrir qual dela é mais “confiável”.


Analisando o site Reclame Aqui enquanto rede social, pode-se concluir que ele não é suficientemente desenvolvido no quesito primordial que define uma rede social: a interação social dos usuários. A interatividade existente no site se limita a comentários nas reclamações de outros usuários (que quase não existem) e entre a empresa e o consumidor, quando aquela responde a reclamação deste. Os usuários possuem uma espécie de “perfil”, mas não têm acesso aos perfis uns dos outros, somente ao próprio. Em relação às conexões, como já mencionado, a maioria delas não apresenta quase nenhum tipo de interação social e, portanto, não são representativas no sentido de demonstrar a existência de uma rede social.

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Fichamento nº 10 – “Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano”, de Lúcia Santaella

Que as novas tecnologias da informação e da comunicação alteraram e continuam alterando as mais diversas esferas da sociedade, desde o lazer ao trabalho, é fato. Com base nessa relevância e mudança que as novas tecnologias estão adquirindo e realizando na estrutura social das sociedades capitalistas avançadas, Lúcia Santaella, em seu artigo “Da Cultura das Mídias à Cibercultura: O Advento do Pós-Humano”, desenvolve a ideia de que os intelectuais, pesquisadores e mestres devem se “dedicar à tarefa de gerar conceitos que sejam capazes de nos levar a compreender de modo mais efetivo as complexidades com que a realidade em mutação nos desafia.” (p.23)

Segundo Lúcia, a “Cultura das Mídias” é uma cultura intermediária, situada entre a cultura de massas e a cultura virtual ou cibercultura, visto que não se confunde com nenhuma delas. Ela caracteriza os processos de produção, distribuição e consumo comunicacional que foram semeados para o surgimento da cultura virtual a partir da cultura de massas

Santaella, para uma melhor compreensão da passagem de uma cultura à outra, divide as eras culturais em seis tipos de formações: a cultura oral, a cultura escrita, a cultura impressa, a cultura de massas, a cultura das mídias e a cultura digital. Divergindo e, de certa forma, criticando o clássico pensamento McLuhaniano, Santaella afirma que os meios não passam de “meros canais para a transmissão de informação”, atentando para o equívoco que cometem de achar que as eras culturais são marcadas pelo advento de uma nova tecnologia e de que meio e mensagem não são duas funções separadas. A autora também alerta que tal divisão das eras não se trata de períodos culturais lineares, em que o surgimento de uma era acarretasse no desaparecimento de outra, mas um processo cumulativo, em que “uma nova formação comunicativa e cultural vai se integrando na anterior, provocando nela reajustamentos e refuncionalizações” (p. 25).

A autora, então, mostra como o advento de um novo canal de mídia pode propiciar uma mudança na sociedade. Ela segue mostrando como o surgimento de equipamentos e dispositivos, como as fotocopiadoras, video cassetes, aparelhos para gravação de vídeos, waktalk, walkman, juntamente com a expansiva indústria de filmes em vídeo “possibilitaram o aparecimento de uma cultura do disponível e do transitório”. Com isso, ela afirma que foram esses meios que permitiram a chegada dos meios digitais, que acarretaram na individualização do conteúdo por meio da busca dispersa, alinear e fragmentada da mensagem e da informação.

A autora também fala sobre a cultura do acesso, que se deu a partir da massificação da internet. Ela comenta sobre os grupos realistas, idealistas e céticos.

Santaella finaliza o artigo com o conceito de pós-humano, utilizado por artistas e teóricos desde o início da década de 90 e que mostra as mudanças que as novas tecnologias vêm trazendo para o ser humano em todos os níveis da vida.

Fichamento nº 9 – “Cultura Livre”, de Lawrence Lessig

Ao iniciar o livro intitulado “Free Culture”, Lawrence Lessig procurar trazer a tona exemplos das décadas passadas que remetem ao embate que hoje ainda se trava entre os interesses da sociedade e os interesses dos grandes produtores de conteúdo, principalmente com o advento da internet e que, muitas vezes, é transformado em questões judiciais envolvendo questões de direitos autorais e interesses privados. Segundo o autor, nessas disputas, “ o bom senso está do lado dos donos das propriedades” (p. 5) O foco do livro está em mostrar a forma de controle exercida, atualmente, pela grande mídia sobre a propriedade intelectual.

Lessig, então, procura citar exemplos práticos que ilustram como algumas tecnologias, hoje amplamente utilizadas, foram inicialmente rotuladas como tecnologias piratas.

O autor defende que as leis deveriam acompanhar os avanços da tecnologia. Ele fala de quando os primeiros aviões começaram a sobrevoar os solos norte-americanos, ainda não existia legislação sobre o espaço aéreo. Apareceu, então, a questão se a propriedade se estendia até o céu, se seria um crime voar em cima do território de outro país e diz que para os produtos culturais o problema surgiu de forma semelhante.

No quarto capítulo, então, Lessig aprofunda o caso dessas tecnologias, mostrando que setores das grandes mídias nasceram de algum tipo de “pirataria”. O autor fala sobre a indústria cinematográfica de Hollywood, que foi constituída por piratas fugitivos. Thomas Edison detinha as patentes da indústria cinematográfica e criou a MPPC ( Motions Pictures Patents Company ) para exercer total controle sobre a sua propriedade intelectual. Porém,

no início do séc XX, produções independentes cresciam aceleradamente e em resposta a Companhia das Patentes criou a Companhia Geral de Filmes para bloquear o movimento independente. Com isso, criadores e diretores foram para Costa Leste para a Califórnia, fazendo nascer uma nova indústria, parte devido a pirataria da propriedade intelectual de Edison.

Com relação à indústria musical e ao rádio – que também surgiram da pirataria – , o autor conta que, na época em que inventaram o fonógrafo e a pianola, os compositores detinham o direito de controle das cópias e reprodução pública de sua música e para obter a cópia de uma música pagava-se pelo direito de ter a cópia da partitura e pelo direito de apresentá-la em público. Foi determidado por lei que os compositores deveriam ser pagos pelas reproduções mecânicas de suas músicas. Porém, no  rádio, quando uma música é tocada o dinheiro é dado somente ao compositor, ficando sem ganho o artista que a interpreta.

O último exemplo de tecnologia que também surgiu por eio da pirataria foram as TVs à cabo, que nãoo pagavam às redes de TV pelos programas que redistribuíam aos seus consumidores.

“Se “pirataria” significa usar o valor da propriedade intelectual de alguém sem sua permissão — como tal conceito é descrito cada vez mais atualmente — então todas as indústrias afetadas pelo copyright atualmente são produtos e se beneficiaram de alguma forma de pirataria. Filme, música, rádio, TV a cabo… A lista é grande e poderia ainda assim ser expandida. Todas as gerações davam boas-vindas aos piratas do passado — até agora.” (p.9)

Com o advento da internet, então, o conceito de pirataria foi elevado com o principal modo de pirataria da web: o compartilhamento peer to peer (P2P). No P2P, os usuários compartilham online seus arquivos, como músicas, filmes, documentos etc, o que permite que qualquer pessoa do mundo tenha acesso a tais. Esse novo modelo de pirataria acarretou em diversas reclamações de produtoras, gravadoras e outras empresas, que alegam prejuízos com a queda de vendas e lucros.

Lawrence Lessig, elencou quatro tipos de compartilhamentos não-oficiais da internet em relação a pirataria:

  1. Os que utilizam o compartilhamento porque não tem interesse de comprar os produtos “originais” e preferem fazer o download do produto
  1. Os que utilizam os downloads gratuitos para primeiro conhecerem os produtos para depois, quem sabe, comprarem os mesmos por meios oficiais;
  2. Aqueles que usam para baixarem arquivos da internet que não estão mais disponíveis em lojas físicas, como CDs e filmes antigos;
  3. Aqueles que usam para baixarem conteúdos disponibilizados gratuitamente pelos próprios donos.

O autor, no entanto, explica que dos quatro tipos de compartilhamentos, alguns causam prejuízos, outros apenas tem benefícios e, em alguns casos, o prejuízo é relativo.

Fichamento nº 8 – “Redes sociais na Internet: Considerações iniciais”, de Raquel Recuero

No artigo intitulado “Redes Sociais na Internet: Considerações Iniciais”, Raquel Recueco traz o debate dos modelos de estudo das redes complexas e sua aplicabilidade para as redes sociais na Internet.

Recuero incia o texto falando sobre os primeiros trabalhos sobre redes da história, afirmando  que estes possuem um caráter altamente estrutural, deixando de lado determinados aspectos qualitativos e humanistas. A autora, então fala sobre a Teoria dos Grafos, modelo do matemático Euler, que é “uma representação de um conjunto de nós conectados por arestas que, em conjunto, formam uma rede” (p. 2). Mais adiante no texto, a autora diz que nas redes sociais “as pessoas são os nós e as arestas são constituídas pelos laços sociais gerados através da interação social.” (p. 3)

No estudo das redes sociais, o indivíduo não pode ser tomado como unidade mínima, pois para que uma rede social exista, é necessário constituir uma relação, Desse modo, Recuero classifica a análise das redes sociais em duas visões: as redes inteiras (whole networks), que é focada na relação estrutural da rede com o grupo social; e as redes personalizadas (ego-centered networks), que diz que “o papel social de um indivíduo poderia ser compreendido não apenas através dos grupos (redes) a que ele pertence, mas igualmente, através das posições que ele tem dentro dessas redes.” (p. 3) A autora classifica as relações também em duas vertentes, a díade e a tríade. Aquelas se constituiriam em relações entre dois indivíduos quaisquer e estas seriam compostas por triângulos, onde duas pessoas que não necessariamente se conhecem tem um amigo em comum.

Recuero diz que a análise estrutural das redes sociais tem a interação como elemento fundamental para o estabelecimento das relações sociais entre os agentes humanos, que originarão as redes sociais, tanto no mundo concreto, quanto no mundo virtual.

A partir daí, a autora cita três modelos propostos por diferentes autores: modelo das redes aleatórias, modelo de mundos pequenos e modelo das redes sem escala.

Erdös e Rényi acreditavam que a formação de grafos poderia se dar de forma completamente aleatória, originando os grafos randômicos. Essa proposição da a ideia de que as redes sociais seriam igualitárias, por proporcionarem a todos a mesma quantidade, ou ao menos as mesmas possibilidades de criarem relações. Esse seria o modelo das redes aleatórias.

Já o modelo de mundos pequenos, diz que as redes sociais não são simplesmente randômicas, que há algum tipo de ordem nelas. Esse modelo trabalha a perspectiva que reduz as distâncias entre as pessoas, já que elas podem estar ligadas através de “amigos de amigos”.

O modelo das redes sem escala, proposto por Barabási, afirma que quanto mais conexões um nó possui, maiores as chances de ele ter mais novas conexões.

“O modelo de Barabási e Albert, por exemplo, tem um grau de conectividade muito baixo, já que apenas alguns nós estão altamente conectados, a maioria tem poucos links. Além disso, uma rede sem escalas não é, necessariamente, um mundo pequeno. Já o modelo de Watts e

Strogatz tem um grau de conectividade parecido com o de um gráfo aleatório (Erdös e Rényi), mas tem um alto grau de conexão entre os nós.” (p. 7)

A autora analisa a rede social Orkut, que apresenta os indivíduos enquanto perfis, onde é “possível perceber suas conexões diretas (amigos) e indiretas (amigos dos amigos), bem como as organizações sob a forma de comunidades. Além disso, existem ferramentas de interação variadas, tais como sistemas de fóruns para comunidades, envio de mensagens para cada perfil, envio de mensagens para comunidades, amigos e amigos de amigos (normalmente utilizadas para spam).” (p. 8 e 9) Recuero, porém, atenta para a pobreza de capital social e de envolvimento nas relações estabelecidas no Orkut.

Seguindo as análises, Raquel Recuero parte para weblogs e fotologs, afirmando que estes podem ser considerados redes sociais, se as ferramentas interativas disponibilizadas por eles proporcionem a construção de relações entre os indivíduos. A partir disso, Recuero fala sobre a interatividade nos blogs que, segundo ela, as trocas de comentários entre blogs antes que seus criadores linkem outros em suas páginas é comum, podendo esses links serem considerados em termos de relações sociais..

A autora finaliza afirmando que os estudos levantados são reducionistas, visto que até agora preocupam-se muito com o número de conexões, a natureza randômica ou não das relações entre os indivíduos, a estrutura das redes propriamente ditas, esquecendo-se das trocas de capital social, envolvimento emocional e energia entre os nós.

Fichamento nº7 – “O Culto do Amador”, de Andrew Keen

Prosseguindo com os estudos em cibercultura, o texto a ser discutido é “O Culto do Amador”, de Andrew Keen. O autor inicia o texto fazendo menção ao teorema do biólogo evolucionista do século XIX, T.H. Huxley, chamado “o teorema do macado infinito”, no qual, segundo Huxley, “se fornecermos a um número infinito de macacos um número infinito de máquinas de escrever, em algum lugar alguns macacos acabarão criando uma obra-prima”. A finalidade da menção é comparar tal situação com a que vivems hoje com a web 2.0, em que os usuários podem ser comparados aos macacos e as máquinas ao computador, mas que, ao contário do que se diz no teorema, seriam produzidas nada mais que mediocridades.

Segundo Keen, essa grande massa produtiva e “medíocre” pode ser comprovada a partir dos inúmeros blogs e materiais que são produzidos diariamente, onde as pessoas escrevem sobre toda e qualquer coisa que lhes parecem pertinentes – mas que na visão de Keen, são produtos dispensáveis.

O autor cita o exemplo da Wikipédia e do Youtube como dois sites que fazem parte do crescimento exagerado da internet e da ausência de seleção do conteúdo divulgado. A Wikipédia – que é mais acessada que portais oficiais de notícia – é uma enciclopédia online em que qualquer pessoa pode publicar e editar o que quer sobre determinado assunto, o que acaba a tornando um site não tão confiável,  que guia desinformados. O Youtube é um portal de vídeo que atrai inúmeros amadores e que publica mais de 65 mil novos vídeos a cada dia. Keen afirma que os “filmes amadores” só mostram “idiotas dançando, cantando, comendo […] dormindo ou simplesmente olhando para seus computadores.” Ele também fala das ferramentas de busca, que captam aquilo que nós buscamos e alimenta seu arquiv de resposta, nos dizendo aquilo que já sabemos.

Em meio a produção e consumo de tanta “bobagem”, Keen acredita que estamos ficando idiotas, uma vez que deixamos de consumir mais notícias e informações, deixamos de saber o que acontece no mundo, nos tornando “burros”. Ele acredita que os novos produtos virtuais estão destruindo os produtos tradicionais, como jornais, livros, músicas, a partir da pirataria e da produção amadora.

Como já tratado em outros textos anteriormente, com a web 2.0 ocorreu a democratização da mídia, em que público passou a ser também um produtor de mídias, o que, para o autor, é um grande problema. Keen acredita que em uma democracia, os representantes eleitos é que deveriam ser os especialistas, pois estudaram e tem conhecimento para produzir conteúdos confiáveis. O autor também afirma que a revolução da web 2.0 está tornando as observações do mundo superficiais.

Fichamento nº6 – “Wikinomics – como a colaboração em massa pode mudar o seu negócio” – Capítulo 1  – Don Tapscott e Anthony D. Williams

Que a web 2.0 trouxe uma série de mudanças para a internet é evidente, sendo a maioria delas mais sociais e culturais do que apenas técnicas. Enquanto nos primórdios da internet a web era um espaço pouco participativo, a colaboração e o compartilhamento se tornaram os agentes motores da segunda geração da web. Isso pode ser observado facilmente com os blogs e redes sociais, nos quais os usuários podem se comunicar, interagir e produzir conteúdo com muito mais dinamicidade. Tal fato possibilitou que a colaboração que antes se dava em menor escala, entre parentes, amigos e sócios em lares, se tornasse um grande negócio para empresários, representando uma grande ameaça para as empresas mais conservadoras.

Com o aumento da independência dos usuários “amadores”, que deixaram de ser receptores passivos e passaram a ser produtores ativos – a maioria deles possuindo verdadeiras habilidades e conhecimentos específicos sobre a tecnologia – grandes empresas têm dado espaço para que a esses voluntários de grande potencial trabalhem colaborativamente com elas.

A partir daí pode-se explicar o que os autores denominam como Wikinomics, que é entendido justamente como a forma de interação entre profissionais qualificados, que mesmo estando geograficamente distantes, têm um custo de ligação muiti baixo por meio da internet. O nome vem da aglutinação de Economia e Wikis (What Is Know Is), e caracteriza um novo modelo de economia, baseado na potência da colaboração.

Os autores, então, explicam o conceito de  peering, ou peer production, nome dado a esse processo colaborativo, quando um grupo de pessoas e empresas colaboram de forma totalmente aberta para fomentar a inovação, o crescimento e a construção do conhecimento dos ramos. É o caso do MySpace, Youtube, Wikipédia, exemplos citados pelos autores.

Apesar de mostrarem vários exemplos onde o compartilhamento de informações foi benéfico, também são mostrados os males que essa nova era traz, como os vírus e o ciberterrorismo, nos quais cracker invadem sistemas e quebram códigos de softwares.

Ao tratar de colaboração e economia, o debate sobre direitos autorais é frequente. Para os autores, esses direitos devem ser expandidos, a fim de que se garanta o mérito e o reconhecimento de todos os envolvidos.

Finalizando, os autores alertam para os perigos que essa nova participação pode causar caso as sociedades, empresas e indivíduos não consigam adaptar-se às mudanças, vendo a peering como uma ameaça para destituir interesses.

Fichamento nº 05 – “The Shallows” de Nicholas Carr – Caps 1 e 3

“Com os computadores diminuindo até o tamanho de iPhones e BlackBerrys, a festa passou a ser móvel, disponível a qualquer hora, em qualquer lugar. É em nossa casa, nosso escritório, nosso carro, nossa sala de aula, nossa bolsa, nosso bolso. Mesmo os conscientes da influência cada vez maior da rede raramente permitem que suas preocupações atrapalhem o uso e a diversão com a tecnologia.” (p.2)

O autor inicia o capítulo divagando sobre o quanto era imerso em suas leituras e hoje, com o advento da web e todas as utilidades que ela possui, não consegue ter a mesma paciência e não imerge mais nas narrativas como antes.

Utilizando de pensamentos de vários outros atores, sobre como eles também se sentem mais “impacientes”, estes destacam, porém, que apesar de não possuírem mais a mesma “habilidade de sentar-se imóvel e virar as páginas de um livro ou uma revista”, o uso da internet os tornou mais inteligentes, devido ao grande fluxo de informação que ela oferece, e não cogitam voltar para o modo como as coisas eram antes.

Carr afirma que o momento atual é “de transição entre dois modos muito diferentes de pensamento¹”; o antigo pensamento linear, focado, está sendo substituído por um pensamento “multifuncional”.

Apesar de para ele a internet ter proporcionado uma enorme economia em momentos de pesquisa, o escritor também fala dos malefícios do meio. Segundo ele, o uso superficial é um dos principais problemas no uso constante da internet. Apesar de as mídias fornecerem o material do pensamento, elas também moldam o seu processo, enfraquecendo a capacidade de “concentração e contemplação” dos usuários. Estes apenas surfam – literalmente na superfície – na rede. Do mesmo modo, nos tornamos dependentes delas. As tecnologias vieram com o objetivo de facilitar e agilizar nossas tarefas cotidianas. Na falta delas, nossa vida se torna quase que inoperável. O autor fala, então, que acabamos criando em nós mesmos algo da tecnologia.

Desse modo, Carr afirma que, assim como a web se modificou – passando de web 1.0 para web 2.0 – nós também nos modificamos, nos tornando seres conectados e produtores de conteúdo.

Carr fala sobre as polêmicas que ocorrem entre os adeptos dos determinismo tecnológico e os adeptos do instrumentalismo. Segundo os deterministas, as tecnologias exercem efeitos drásticos sobre as pessoas, não nos oferecendo o livre-arbítrio quando temos ou não de recorrer a elas. Já os instrumentalistas afirmam que  cada tecnologia é apenas um simples instrumento utilizado pelo homem, que não exerce qualquer influência ou provoca qualquer efeito inesperado.

Para o autor, apesar do debate entre deterministas e instrumentalista ser uma discussão que tende ao infinito, é proveitosa, pois os dois lados sustentam bons argumentos. Ele também afirma que as tecnologias influem profundamente na linguagem humana, afinal de contas, interferem diretamente em nossas mentes.

Carr finaliza o texto mostrando o pensamento do filósofo grego Sócrates, segundo Fédon de Platão, que afirma que  a escrita substitui a lembrança, implanta o esquecimento nas almas, não exercita a memória, faz lembranças virem não de dentro de si mas de marcas externas, altera a mente das pessoas, não para melhor torna-nos pensadores superficiais.