Dominique Wolton, em seu texto “Dez propostas para pensar as novas mídias de comunicação”, do livro “A Internet, e Depois?”, discursa a respeito das transformações que a comunicação passou e poderá vir a passar com o advento das novas tecnologias, ou tecnologias da informação.
Para iniciar o texto, Wolton explicita que se compararmos o passado ao presente, as mudanças na comunicação foram muito mais de natureza cultural e social que tecnológica, ao contrário do que muitos afirmam hoje em dia. Essas mudanças na comunicação vieram a ocorrer de acordo com mudanças sociais culturais, como a democracia de massa; depois, a abertura das sociedades por razões econômicas, políticas e culturais; a desagregação dos equilíbrios familiares e das relações campo-cidade e, finalmente, a ruptura radical das formas de trabalho.
Wolton defende a ideia de que o encontro entre a inocação tecnológica e as mudanças culturais e sociais nos padrões de comunicação geram uma revolução e que, nessa interação entre fenômeno tecnológico, cultural e social, os dois últimos são os mais importantes, apesar de parecem menos espetaculares que o primeiro. Ele acaba, então, com a ideia de que as invações tecnológicas não são suficientes para mudar a sociedade, fazendo-se necessária uma avaliação da comunicação levando em conta o conjunto dessas três características. Durante muito tempo o discurso que dominava a comunicação era o técnico, no qual é defendido que a tecnologia é o progresso, a mudança, o avanço, que está presente em todos os âmbitos no nosso dia a dia. Mas Wolton afirma que “a modernidade não constituiu jamais um projeto de sociedade. Se assim fosse, falaríamos simplesmente da adaptação às mudanças de toda espécie que produz a história.” (p. 2)
Para ele, o advento de novas tecnologias não é o grande problema, mas sim esse discurso que se cria e se propaga de que tais tecnologias são o futuro.
“Os dois meios de comunicação são, na verdade, complementares; cada um valoriza uma das duas dimensões características da sociedade individualista de massa.” (WOLTON, p. 2)
Wolton, então, enumera 9 pontos que resumem a sua conclusão a respeito do assunto:
1. O objetivo da comunicação não é compreender a tecnologia, mas sim as relações dos indivíduos entre si e com a sociedade.
“É a escolha entre socializar e humanizar a tecnologia ou tecnificar a comunicação.” (p. 2)
2. A necessidade de deixar de lado a ideologia tecnológica que insist em reduzir a comunicação e a tecnologia, construindo uma falsa hierarquia entre novas e velhas mídias.
“O fato de que amanhã as telas apareçam em todos os lugares, tanto na escola como em casa, no comércio ou no lazer não significa que a comunicação seja mais fácil. Na verdade, quanto mais produtivas são as tecnologias, mais deveria destacar-se o que as separa da comunicação humana e social.” (p. 3)
3.Relativizar a ideologia tecnológica, ou seja, tudo o que é novo não necessariamente é moderno e o que é moderno não necessariamente é melhor.
“Embora as novas tecnologias constituam uma evidente evolução técnica, isso não é suficiente para criar um progresso na história e nas teorias da comunicação.” (p. 3)
4. Os meios de comunicação e as novas tecnologias são complementares, pois refletem o mesmo modelo da sociedade individualista de massa.
5. Ressaltar a importância da oferta de qualidade dos produtos de comunicação.
“A pura lógica da demanda acarreta uma comunicação de duas velocidades e de dois preços: de baixa qualidade e gratuita para uma boa parte da população; cara e de boa qualidade para os mais favorecidos.” (p. 5)
6. Não há um pensamento comum entre as logicas do emissor, da mensagem e do receptor.
“…apesar de sua considerável força, a mídia, por um século, levou à padronização das opiniões e das ideias: uma vergonha para os trabalhos da Escola de Frankfurt. É verdade que as mensagens têm uma influência, mas o estudo das condições de recepção permite também entender que a mesma mensagem, enviada ao mundo inteiro, não é recebida da mesma maneira nos diferentes países.” (p. 5)
7. A comunicação humana não substituirá a comunicação humana direta, ao contrário do que muitos pensam.
“Quanto mais as pessoas puderem se comunicar através de meios sofisticados, interativos, mais vontade terão de se ver; o desafio da comunicação tecnológica não se substitui pela necessidade de comunicação direta.” (p. 6)
8. A importância de registrar as novas tecnologias na história da comunicação.
9. A ideia da comunidade internacional reflete um ideal democrático, que tem como objetivo pacificar os diversos sistemas políticos, religiosos, sociais.
“Isso requer trabalhar nas duas direções de forma simultânea: respeitar as identidades e desenvolver um projeto mais amplo que transcenda as diferenças” (p. 8)




